quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Amortecimento da Consciência


 

“O trabalho espiritual é feito com instrumentos desproporcionalmente pequenos e fracos. E sobretudo agora, quando tudo é tão profundamente complexo, e quando as pessoas desmoronam sob o fardo de confusões e param por completo de pensar, é natural que poucos estejam dispostos a assumir o ónus de tentar realizar algo, da maneira moral e espiritual, na acção política. Mas é precisamente isto que necessita ser feito.
O grande perigo é que, sob a pressão da ansiedade e do medo, com a alternância de crise e relaxamento e nova crise, as pessoas do mundo acabem aceitando aos poucos a ideia de guerra, de submissão ao poder totalitário e da renúncia à razão, ao espírito e à consciência individual. O grande perigo da guerra fria é o amortecimento progressivo da consciência”

Thomas Merton

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

A oração

 
 
"A oração é algo natural do homem, como falar ou suspirar, ou olhar, ou como latejar do coração enamorado. Na realidade é também uma queixa. Nossa oração não é mais do que estabelecer contacto com Deus. É uma comunicação com Deus e não necessita ser com palavras e nem mesmo com a mente. A gente pode se comunicar com o olhar, com o sorriso ou com os suspiros, ou contemplar o céu, ou beber a água. De facto todos os nossos atos corporais são oração. Nosso corpo formula uma profunda ação de graças em suas entranhas, quando sedento, recebe um copo d’água. Quando, num dia de calor, mergulhamos num rio fresco, toda nossa pele canta o hino de ação de graças ao Criador, ainda que esta seja uma oração irracional, que se faz sem nosso consentimento e às vezes mesmo apesar de nós. O trabalho é uma oração existencial. Deus nos envolve por todas as partes como a atmosfera.
A razão pela qual a gente não costuma experimentar a presença de Deus é porque estamos acostumados a que toda experiência nos venha de fora, e essa experiência é de dentro. Estamos voltados para o exterior, pendentes da sensação de fora e então nos passam inadvertidos os toques e as vozes de dentro."
 
 
(Thomas Merton)

 

Felicidade




“Não podemos ser felizes se esperarmos viver sempre no mais alto grau de intensidade. A felicidade não é uma questão de intensidade, mas de equilíbrio, ordem, ritmo e harmonia.”

Thomas Merton

domingo, 1 de setembro de 2013


Thomas Merton

 

Thomas Merton nasceu em França, em 1915. Após ficar órfão, ainda jovem, frequentou alguns colégios internos na França e na Inglaterra. Aluno brilhante, recebeu uma bolsa de estudos para a Universidade de Cambridge, porém, Merton não aproveitou muito a oportunidade afundado que estava em festas e vida boémia.

Formou-se em inglês, pela Universidade de Columbia. Foi na época da universidade que surgiu o interesse pela carreira de escritor, fazendo Merton escrever alguns romances, ensaios e poesias. Mas pouca coisa dos trabalhos dessa época foi publicada. Apesar da religião não ter ocupado um lugar significativo na sua juventude, interessou-se pelo baptismo na Igreja Católica Romana. Quis tornar-se um sacerdote na Ordem Franciscana, mas os franciscanos recusaram, por causa de suas histórias da época de Cambridge. Aconselhado por um amigo, Merton foi para um retiro na Abadia de Nossa Senhora do Getsémani, um mosteiro trapista nas cercanias da cidade Louisville, em 1941. Lá, ficou impressionado com a disciplina dos monges, fez um requerimento para ser aceito pelo mosteiro, o que aconteceu em Dezembro de 1941.

Ao entrar em Getsêmani, Merton pensou que sua carreira de escritor tinha se encerrado. Porém, sua primeira tarefa no mosteiro foi escrever uma autobiografia. O livro foi publicado em 1948, intitulado “The Seven Storey Mountain”. De imediato se tornou um best-seller, vendendo  600.000 cópias no primeiro ano, e sendo publicado até hoje.

Além do sucesso de vendas, Merton recebeu muitas cartas, inclusive de pessoas famosas. Foi aí que passou a ser visto como uma autoridade popular da vida espiritual. Como os monges não podem ter acesso as notícias, foi através dessa profícua correspondência  que ficou a saber de notícias que despertaram o seu interesse por justiça social.

Usando o seu poder de liderança moral, Merton passou a escrever sobre diversos temas que o preocupava, como a guerra nuclear, a guerra do Vietnam, o racismo e a pobreza. Alguns líderes da Igreja Católica tentaram fazê-lo parar de opinar, afirmando não ser esse o trabalho de um monge. Merton, então, teve que lutar para conseguir que lhe permitissem falar publicamente sobre esses assuntos.

Merton dedicou-se a falar basicamente sobre justiça social, espiritualidade e diálogo inter-religioso. Seus conselhos foram silenciados em Dezembro de 1968, justamente na data do aniversário de sua entrada no mosteiro de Getsêmani. Merton faleceu num estranho acidente eléctrico em Bangkok.

O seu túmulo é ainda hoje visitado por milhares de pessoas ( inclusive o Dalai Lama, de quem se tornou amigo).